Versão para impressão

Tradições Bantu na Paz e Reconciliação Nacional

O Triângulo Turístico e Histórico-Cultural Kanawa Mussulo realizou uma palestra sob o tema “As tradições Bantu, vectores de paz e reconciliação nacional duradoiras em Angola”. O evento aconteceu dia 30 de Março, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA).
A palestra foi organizada em parceria com a UEA para saudar os 9 anos de Paz e de Reconciliação Nacional que são comemorados dia 4 de Abril (feriado nacional), e teve como orador o historiador Simão Souindoula.

O palestrante destacou no princípio da sua comunicação, o Presidente Dr. Agostinho Neto como um homem de grande visão estratégica que lançou alguns meses após a independência, a política de Reconciliação Nacional.

Durante a sua prelecção, o historiador fez saber que, apesar do conflito armado que assolou a sociedade angolana, existem dezenas de grupos etnolinguísticos que cultivam valores humanos como a paz, a reconciliação, a fraternidade, a amizade, a harmonia, a concórdia, a consanguinidade, a abertura, a alteridade e a solidariedade.

Baseando-se em alguns provérbios das Tradições em estudo como “os dentes são condenados a viver juntos”, “um estrangeiro é um enviado por Deus” ou “a honra da panela é a tampa”, Simão Souindoula afirmou que as populações Bantu angolanas marcaram, desde milénios, as suas sociedades com várias estacas filosóficas. Desta forma permitiram uma vivência social pacífica, assim como a criação da plataforma para reconciliação.

O prelector afirmou, também, que Angola é terra de um considerável potencial económico, que tem caminho bem traçado para tornar-se um dragão africano e uma peça essencial do Renascimento do Continente. O país deve explorar ao máximo os valores cristalizados pelas suas diferentes componentes etnolinguísticas.
Há mais de 30 anos que o historiador investiga temas inerentes às tradições Bantu. Povos como os Lunda, os Cokwe, os Luvale, os Lutchaze, os Ngoio, os Nyaneka-Humbe, os Bazombo, têm sido uma referência na sua pesquisa.
Para além de historiador e docente universitário, Simão Souindoula é membro do Comité Cientifico do Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).