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Massacre de S. Tomé

Para a Ilustre Amiga Alda Graça

 

Foi quando o Atlântico
pela força das horas
devolveu cadáveres
envolvidos em flores brancas de espuma
e do ódio incontido das feras
sobre sangues coagulados de morte


As praias se encheram de corvos e de chacais
em fomes animalescas de carnes esmagadas
na areia
da terra queimada pelo terror das idades
escravizadas em cadeias
na terra chamada verde
que as crianças ainda chamam verde de esperança


Foi quando no mar os corpos se embeberam
de vergonha e sal
nas águas ensanguentadas de desejos
e fraquezas


Foi então que nos olhos em fogo
ora sangue ora vida ora morte
enterramos vitoriosamente os nossos mortos
e sobre as sepulturas
reconhecemos a razão do sacrifício dos homens
pelo amor
e pela harmonia
e pela nossa liberdade
mesmo ante a morte pela força das horas
nas águas ensanguentadas
mesmo nas pequenas derrotas acumuladas para a vitória


Em nós
a terra verde de São Tomé
será também a ilha do amor

 

Fevereiro de 1953