Bamako
Depois de uma conferência pan-africana em Bamako
Bamako!
ali onde a verdade gotejante sobre o brilho da folha
se une à frescura dos homens
como as raízes fortes sob a tépida superfície do solo
e onde crescem amor e fruto
fertilizados na generosidade do Níger
sombreados na imensidão do Congo
ao sabor da aragem africana dos corações
Bamako!
ali nasce a vida
e cresce
e desenvolve em nós fogueiras impacientes de bondade
Bamako!
ali estão os nossos braços
ali soam as nossas vozes
ali o brilho esperança dos nossos olhos
se transformam imenso numa força irrepreensível
da amizade
secas as lágrimas choradas nos séculos
na África escrava de outros dias
vivificando o sumo nutritivo do fruto
o aroma da terra
em que o sol desencanta kilimanjaros gigantes
sob o céu azul da paz.
Bamako!
fruto vivo da África
de fruto germinado nas artérias vivas de África
Ali a esperança se tornou árvore
e rio e fera e terra
ali a esperança se vitoria amizade
na elegância da palmeira e na pele negra dos homens
Bamako!
ali vencemos a morte
e o fruto cresce – cresce em nós
na força irresistível do natural e da vida
connosco viva em Bamako.
1954
