Versão para impressão

Mãos esculturais


Além deste olhar vencido
cheios dos mares negreiros
fatigado
e das cadeias aterradores que envolvem lares
além do silhuetar mágico das figuras
nocturnas
após cansaços em outros continentes dentro de África


Além desta África
de mosquitos
e feitiços sentinelas
de almas negros mistérios orlado de sorrisos brancos
adentro das caridade que exploram e das medicinas que matam


Além África dos atrasos seculares
Em corações triste


Eu vejo
as mãos esculturais
dum povo eternizado nos mitos
inventados nas terras áridas da dominação
as mãos esculturais dum povo que construi
sob o peso do que fabrica para se destruir


Eu vejo  além África
amor brotando virgem em cada boca
em lianas invencíveis da vida espontânea
e as mãos esculturais entre si ligadas
contra as catadupas demolidoras do antigo


Além desde cansaço em outros continentes
a África viva 
sinto-a nas mãos esculturais dos fortes que são povo
e rosas e pão
e futuro.