Aqui no cárcere
Aqui no cárcere
eu repetiria Hikmet
se pensasse em ti Marina
e naquela casa com uma avó e um menino
Aqui no cárcere
eu repetiria os heróis
alegremente cantasse
as canções guerreiras
com que o nosso povo esmaga a escravidão
Aqui no cárcere
eu repetiria os santos
se lhe perdoasse
as sevícias e as mentiras
com que nos estralhaçam a felicidade
Aqui no cárcere
a raiva contida no peito
espero pacientemente
o acumular das nuvens
ao sopro da História
Ninguém
Impedirá a chuva.
Cadeia da PIDE de Luanda
Julho de 1960
