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COMUNICADO FINAL

Realizou-se no dia 11 de Maio de 2011, no Auditório AAA a segunda edição do fórum de debates e de reflexões "Diálogos em Família", organizado pela Fundação Dr. António Agostinho Neto. Foi eleito para esta segunda edição o tema Os Desafios da Juventude, sob o lema "… num mundo novo com a voz igual", extraído de um poema de Agostinho Neto ("A Voz Igual", 1960), com o objectivo de se reflectirem os problemas que afligem particularmente a juventude no nosso País.

 

O evento foi presidido pela Sra. Maria Eugénia Neto, Presidente da Fundação Dr. António Agostinho Neto, ladeada pela PCA, Dra. Irene Alexandra Neto.

Como convidado de honra, o Ministro da Juventude e Desportos, Dr. Gonçalves Muandumba, procedeu à abertura oficial dos Diálogos em Família.

 


A Presidente da Fundação saudou e agradeceu a presença das entidades e participantes presentes ao fórum, tendo na sua intervenção ressaltado que este ciclo de conferências …traduz uma viva expressão de fidelidade aos sublimes ideais de Agostinho Neto, que via na juventude o garante da afirmação do processo revolucionário e também da defesa da integridade territorial, sendo a força motriz da grande caminhada do processo de reconstrução nacional.

O Ministro da Juventude e Desportos fez um breve diagnóstico em torno do actual quadro social, com indicadores sobre a família, o emprego, a habitação, a sinistralidade rodoviária, a crise dos valores cívicos, éticos e morais, a participação política e associativismo, dentre outros. Referiu ainda que o Executivo angolano se encontra profundamente empenhado na resolução dos problemas do povo, com vista à melhoria da qualidade de vida dos angolanos, e que a juventude é chamada a vencer determinados desafios. O Sr. Ministro citou o Poeta Agostinho Neto, no poema "Aspiração": O meu desejo / transformado em força / inspirando as consciências desesperadas.

O Ministro terminou o seu discurso afirmando que é pois, com o desejo e a força inspiradora de Agostinho Neto, que todos juntos construiremos o País sonhado pelos jovens de ontem, de que se destaca o próprio Presidente Dr. António Agostinho Neto. A nação acredita na juventude e o futuro pertence à juventude.

No primeiro painel, moderado pela Dra. Eufrazina Paiva, foram apresentadas as seguintes comunicações:

· "A voz igual na poesia de Agostinho Neto", pelo Professor Nelson Cerqueira;

· "Adolescência, famílias desarticuladas, meios-irmãos, mães e pais adolescentes", pela Dra. Noelma Viegas de Abreu;

· "Vagas na escola e universidades, ter saber versus ter diploma", pelo Dr. Israel Bonifácio.

 

 

 

 

 

No segundo painel, moderado pelo Dr. Ismael Mateus, foram apresentadas as seguintes comunicações:

· "Como participar na política", pelo Dr. Sérgio Luther Rescova;

· "Carreira no estrangeiro vs carreira em Angola", pelo Dr. João Paulo Nganga

· "Habitação: arrendamento vs compra", pelo Dr. Rui Cruz

· "Droga, crimes, prostituição, alcoolismo", pelo Prof. Dr. Paulo de Carvalho.

 

 

Por imperativos alheios à vontade da organização, alguns dos temas não foram abordados devido à ausência dos prelectores.

 

O fórum contou com a presença de 275 participantes, dentre os quais deputados a Assembleia Nacional, membros do Executivo, membros do corpo diplomático acreditado no País, efectivos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, representantes da sociedade civil, professores universitários e estudantes.

 

Findo a apresentação de cada orador, houve muita receptividade por parte do público, em especial dos estudantes. Muitas questões pertinentes foram colocadas o que mostrou um grande interesse nos debates, por parte dos jovens. Os prelectores convidados, por sua vez, responderam a todas as perguntas, com o intuito de satisfazer a curiosidade e dúvidas existentes no auditório.

 

 

 

Após discussão e análise dos temas apresentados, os Diálogos em Família concluíram e recomendaram que:

1. Os jovens devem continuar a obter aptidões e competências que os permitirá aumentar a sua empregabilidade no mercado de trabalho em Angola.

2. Os jovens devem ter a iniciativa de empreender novas actividades económicas criando o seu próprio emprego ao invés de esperarem apenas pela escassa oferta de empregos.

3. A constituição de famílias pelos jovens deve ser bem planificada para evitar alterar a ordem habitual da evolução designadamente, priorizando a educação, a entrada para a vida adulta e o emprego. Só depois então poderão constituir famílias sólidas e alicerçadas no amor e na partilha do futuro.

4. A gravidez adolescente, a maternidade e a paternidade precoce, a chefia de lares em situação de desemprego prejudicam o normal desenvolvimento da geração jovem e promovem a pobreza e a exclusão social.

5. Os jovens devem ser educados para a aquisição de valores morais e de compreensão plena da vida sexual e das responsabilidades sociais enquanto cidadãos.

6. A ocupação dos tempos livres da juventude, com a criação de instituições culturais e recreativas, deve estar no centro das preocupações da sociedade, de forma a cultivarem-se hábitos saudáveis e evitar-se a propensão para a droga, o álcool e a consequente exclusão social.

7. A pressão da publicidade de bebidas alcoólicas e de estilos de vida luxuosa e ociosa deve ser regulada considerando os seus efeitos perniciosos sobre a juventude. O sucesso deve ser criado com trabalho e saber e não ser apresentado como uma conquista instantânea e obtida por meios duvidosos e imorais.

8. A poesia e os textos políticos de Agostinho Neto, bem como de outros autores nacionais, devem ser introduzidos no currículo escolar pelo Ministério da Educação do ensino primário, secundário e superior, de forma a proporcionar o conhecimento e o estudo da literatura e histórias angolanas.

9. A oferta habitacional para os jovens deve permitir diversas opções tais como o arrendamento com opção de compra, a oferta de habitação social a preços acessíveis e com projectos de dimensão e áreas adequadas a um jovem ou a um casal jovem no inicio de carreira, evitando-se a pressão de preços exorbitantes e de casas sobredimensionadas para a juventude.

10. O fomento da autoconstrução dirigida, baseada em planos directores, deve ser priorizado com programas realistas e financiados pelo Estado.

11. As carreiras na função pública devem ser modernizadas e distribuídas por todo o território nacional, com destaque para as províncias do interior.

12. O associativismo juvenil e estudantil deve ser reforçado para elevar e estimular a participação directa da juventude na política e na vida social das suas comunidades e da nação.

13. O Estado e as organizações da sociedade civil devem intervir no sentido de a escola e a família serem cada vez mais factores de inclusão social e de promoção de normas e valores morais e cívicos que permitam a harmonia social.

14. A prática do desporto deve ser incentivada e massificada.

15. O combate pela erradicação do analfabetismo, a redução da pobreza e a eliminação da fome são metas fundamentais para concluir a reconciliação nacional e reduzir as desigualdades sociais que aumentaram após o advento da paz.

16. A melhoria do comportamento da juventude demanda exemplos de sucesso, de integridade moral e de competência profissional e académica.

 

O discurso de encerramento foi proferido pela Dra. Rosa Micolo em representação do Governador da Província de Luanda, Dr. José Maria dos Santos. A Dra. Micolo enfatizou que sem dúvida alguma, estamos a falar das marcas deixadas por Agostinho Neto, um dos precursores da revolução Angolana, senão, meus senhores, o Pai da revolução Angolana e o primeiro Presidente da República Popular de Angola, cujos escritos e ensinamentos, embora no tempo, traduzem hoje, tal como Mandume, Ngola Kiluange, Mutu-Ya-Kevela, Nzinga Mbandi e tantos outros; ideais, sabedoria actual, que trazem, para os nossos dias a filosofia e as linhas mestras do sentimento primário do mundo moderno e a visão cosmológica da poesia profética (de Agostinho Neto), que transporta o seu espírito na letra, a alma da unidade nacional, da paz, do amor, da igualdade na aplicação da lei, da igualdade de oportunidades, da igualdade no trato e o assegurar da vida e da dignidade humana.


 

Feito em Luanda, aos 11 de Maio de 2011