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O 4 DE FEVEREIRO E O INÍCIO DA LUTA ARMADA EM ANGOLA - Página 2

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O 4 DE FEVEREIRO E O INÍCIO DA LUTA ARMADA EM ANGOLA
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Tão-logo a administração colonial portuguesa apercebeu-se dessas reivindicações, ao invés de chamar-se à razão e procurar formas justas para a resolução do problema vai apelidar estas reclamações, como Crimes Contra a Segurança do Estado, sujeitos a prisões e torturas sobre os nativos. A estas prisões, Agostinho Neto não escapa, tanto assim que foi encarcerado várias vezes, ao longo dos anos 50 e princípios de 60.

Tais situações foram criando um espírito de revolta nos angolanos que procuravam vias, para se acabar com o sistema opressor que se vivia. Os intelectuais continuavam a criar obras que ressaltavam esta necessidade, ainda que se encontrassem na prisão. Escritores como Luandino Vieira, António Jacinto, Jofre Rocha, Manuel Pedro Pacavira, António Cardoso e outros, nos calabouços não deixavam de escrever. Desta feita, Agostinho Neto, preso na Cadeia de Aljube, em Lisboa escreve os poemas intitulados “Depressa” e “Luta”, datados entre Agosto e Setembro de 1960, respectivamente. Ambas criações vão coincidir com o que vai acontecer na madrugada do dia 4 de Fevereiro de 1961. E o que foi que aconteceu nesta data? Ora, no intuito de libertar os compatriotas injustamente encarcerados, um grupo de nacionalistas munidos de catanas e poucas armas de fogo atacou as principais cadeias, em Luanda dando início a Luta Armada de Libertação Nacional.

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Face a esta bravura, a retaliação não se fez esperar. Portugal enviou para Angola, milhares de soldados fortemente armados que foram perseguindo não só os participantes activos desta revolta, mas sobretudo as populações indefesas que eram as principais vítimas dessas barbáries que incluíam raptos e assassinatos, um pouco por todo o país. Isso fazia com que os defensores da liberdade fossem cada vez mais para as matas aderirem ao movimento de guerrilha acabado de nascer, em função dessa revolta.

No ano a seguir, Agostinho Neto, evadido da prisão em Lisboa, chegado a Angola é eleito presidente do MPLA, organização política que reivindicara o ataque às cadeias. Foi nesta altura que Neto assumiu a liderança da luta de libertação nacional, tendo estrategicamente dividido o país em seis regiões político-militares, com vista o êxito da guerrilha que nos levaria à independência. Do mesmo modo empreende acções diplomáticas, dentre as mais importantes foi ter conseguido que a Organização de Unidade Africana (OUA) reconhecesse o MPLA, como movimento de libertação e como tal deveria merecer o apoio do resto da África e não só. Como resultado, países como Argélia e Marrocos não só enviaram toneladas de munições e armamentos, sem os quais não se fazia guerrilha, bem como proporcionaram o treinamento dos guerrilheiros em seus solos. O seu esforço de liderança permitiu ainda a expansão do reconhecimento da causa, aos países da Europa e América, a medida que a guerra pela liberdade continuava. A verdade é que, cinco anos passados, ou seja em 1968, já o MPLA, fruto da sua ofensiva generalizada ocupava em Angola, uma área de acção que considerava “zonas libertadas”, com uma dimensão, duas vezes maior que Portugal. Isso obrigava com que, regularmente as autoridades coloniais tivessem que recrutar mais portugueses, para a necessidade que a luta obrigava, o que aumentava o desejo da luta de muitos que eram atirados à sua sorte, numa terra que lhes era desconhecida, por vezes, onde não eram poucos os que perdiam a vida, em combate. Foram essas condições que precipitaram o golpe de estado em Portugal, em 25 de Abril de 1974.

No dia 4 de Fevereiro de 1975, Agostinho Neto, à frente de uma delegação do MPLA desloca-se a Luanda e é recebido e aclamado, por uma multidão de cerca de cem mil pessoas, no então chamado aeroporto internacional de Belas. Os registos históricos confirmam de que, nenhum outro líder tivera merecido tamanha recepção e moldura humana, até aquela altura e até antes da independência.

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Nove meses depois, em 11 de Novembro de 1975, Agostinho Neto, ao proclamar a independência de Angola rendia assim homenagem, aos heróis do 4 de Fevereiro tombados, pela justa causa do povo angolano.

                              John Bella