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    AGOSTINHO NETO 90 ANOS
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Seja bem-vindo ao portal da Fundação Dr. António Agostinho Neto, nosso objectivo é promover a pesquisa e divulgação da vida e da obra do Dr. António Agostinho Neto; Promover actividades para melhorar o bem-estar e a condição dos angolanos; A promoção da educação, da ciência, da tecnologia e da cultura, para incentivar a criação e a inovação, de todo o tipo e sob todas as formas, e a investigação científica e tecnológica.

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AGOSTINHO NETO, O 8 DE JANEIRO E A CULTURA NACIONAL

AGOSTINHO NETO, O 8 DE JANEIRO E A CULTURA NACIONAL

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São várias as formas para se identificar a cultura. Entre elas podemos considerar também, como sendo o leque de conhecimentos variados que se vão adquirindo pela pessoa, a medida que tais elementos vão contribuindo para a sua formação, nos diversos sectores da vida social. Daí, o fundamento surge, por vezes de maneira espontânea, com a criação de hábitos e costumes, obras materiais onde incluímos as peças de artesanato, as belas artes, escultura, monumentos e sítios etc., e os imateriais como os contos, as lendas, fábulas, adivinhas, o cancioneiro, a história e seus factos, as línguas, o conhecimento da farmacopeia, a filosofia tradicional, o conjunto das obras literárias sobretudo, etc. a estes são incluídas as crenças religiosas, capazes mesmo de servirem como política fundamental, na Constituição de certos Estados. Tais elementos podem ser herdados de gerações anteriores por via oral, ou adquiridos através da aprendizagem académica.

Sendo a cultura esta riqueza, com toda importância aqui frisada, nem sempre ela foi utilizada da maneira mais coerente, com justiça. Quer dizer, muitas vezes instrumentalizada ou utilizada para dominar e oprimir outros povos, outras culturas. Isto aconteceu fundamentalmente com a dominação colonial, ou seja, a exploração praticada pelas nações europeias no contexto social, político e económico, sobre parcelas de territórios na África, Ásia e América, extensões de terra que se chamavam colónias. Os povos locais foram durante séculos humilhados, escravizados e alguns deles mesmo, extinguidos para sempre do Globo, pelo simples facto de pertencerem a uma cultura diferente e que os seus detractores consideravam como inferior a sua, munidos que estavam já os invasores, na altura, com uma superioridade militar e uma tecnologia mais avançada. O mesmo viria acontecer anos depois, na própria Europa, num curto mas violento período em que o nazismo hitleriano dizimou cerca de seis milhões de judeus, apenas por esses professarem uma religião, baseada numa cultura diferente a de Adolf Hitler.  

    Algumas dessas injustiças acompanharam a nascença, o crescimento e o desenvolvimento físico e intelectual de Agostinho Neto, no período de Angola como colónia de Portugal. Todas as manifestações culturais nativas, como a dança e a música eram de princípio consideradas pelo colonizador, em tom pejorativo como que, se de “ gentios” se tratasse. Daí que podemos observar que os artigos do Patrono da FAAN publicados em periódicos como “O Estandarte”, “O Estudante” ou o “Farolim” não deixavam de denunciar aquela triste realidade, bem como elucidar os cidadãos de que a exploração do nosso povo e das suas riquezas eram feitas sobre pretexto de “Civilização Ocidental”, título de um dos poemas seus contido no célebre livro “Sagrada Esperança”. Foi com este espírito que, em 1948 nasce em Luanda o “Movimento dos Novos Intelectuais de Angola” e a palavra de ordem “Vamos descobrir Angola”. Seu órgão oficial foi a Revista “Mensagem”, para a qual, Neto enviava os seus escritos. Foi neste ano em que, de forma a incentivar o povo a despir-se de qualquer preconceito em relação aos seus valores e a sua cultura menosprezada pelo estrangeiro, Manguxi escreveu o poema “Bailarico”, hoje patente no seu livro intitulado “ Amanhecer”.

    A criação da Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA), detentora da Revista “Cultura”, em 1950 foi outro passo notável, numa altura em que o Kilamba encontrava-se já em Portugal, a concluir a formação em medicina. Lá mesmo, na metrópole colonial foi tendo ampla participação, nos encontros de carácter social e cultural, nos quais proferindo palestras na Casa dos Estudantes do Império, onde os temas eram quase sempre sobre a divulgação e defesa da cultura africana no geral e angolana, em particular. Tais acções por parte de Neto eram tão profundas, de certa forma anticoloniais e antifascistas que, como resultado levaram-no várias vezes à prisão.

    Durante a luta de libertação nacional, sob sua liderança, a importância da cultura não foi por ele posta de parte. Pelo contrário. Foi assim que em plena guerrilha criou o Departamento de Educação e Cultura (DEC), onde os comissários políticos, os professores das escolas da mata davam instruções aos guerrilheiros ou alfabetizavam os populares tendo em conta, a verdade da história dos angolanos e a sua cultura, tendo-nos ensinado igualmente que tal apego aos nossos valores, embora que legítimo, não nos pode deixar cair no chauvinismo.

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    Sendo poeta e tendo em conta a literatura como expressão de cultura, Agostinho Neto publicou o seu livro intitulado “Sagrada Esperança”, em Luanda, meses antes da proclamação da independência. O livro é um conjunto de poemas que exaltam a vontade de um povo que se quis livre, lutou e venceu, numa combinação harmónica entre o lirismo humano e a epopeia dos soldados, inspirado na natureza angolana, na sua cultura, essencialmente e na de outros povos, factores que até hoje o caracterizam como poeta universal.

    Por altura da proclamação da independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975, o poeta da “Sagrada Esperança” fundou a primeira associação cultural do país, ou seja, a União dos Escritores Angolanos (UEA), em Dezembro do mesmo ano, tendo sido eleito o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral desta instituição.

    Três anos depois, Agostinho Neto, como primeiro presidente de Angola fez cumprir uma das frases do seu poema intitulado “Havemos de Voltar”, escrito na cadeia do Aljube, em 1960, quando o povo, pela primeira vez na Angola independente desceu ao largo do Kinaxixe, em Luanda, para celebrar a maior manifestação popular da sua cultura, ou seja, o carnaval. Com ela, todas as outras expressões culturais foram sendo enaltecidas, com orgulho de o fazerem já, numa Angola livre e independente.

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    Oito meses antes da sua morte, em Moscovo, por doença, o Poeta-Presidente, na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da UEA, durante a constituição de novos corpos gerentes desta instituição proferiu um importante discurso sobre a Cultura Angolana, a 8 de Janeiro de 1979. Desde aquela altura, ou seja, oito anos depois, em 1986, a data foi institucionalizada como o dia da Cultura Nacional. Daí passou a ser comemorada em todo o território angolano e no estrangeiro, pelas nossas representações diplomáticas, principalmente.    

                                                                                                                                 John Bella

 

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A BATALHA PELOS CORAÇÕES FOI GANHA PELA POESIA

Texto de Óscar Monteiro

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Não vai ser fácil comprimir em 10 minutos não diria cem anos de solidão, mas cinquenta de companheirismo.

Uma celebração da desproporção

De alguma maneira esta recordação da acção cultural da Casa dos Estudantes do Império é uma celebração da desproporção. Desproporção de número, tão poucos que inicialmente se ergueram, certamente de forma tímida e hesitante. E uma poesia inicialmente exprimindo a identidade pela saudade paisagística, quiçá forma inocente mas sincera de exprimir um busca de identidade: Desproporção desses poucos com o grande coro de defesa do status quo. Desproporção nos meios, estudantes contra poderes estabelecidos. Da Casa, recordo já no meu tempo, em Lisboa em 1964, que foi preciso pedir ajuda para pagar a renda a um grupo de pessoas que o Dr. Arménio Silva organizou. Desproporção dos meios para fazer chegar a voz, basta ver os boletins ciclostilados da Casa.

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